5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional

5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional

 

A autoconsciência emocional é uma dimensão da inteligência emocional.

A inteligência emocional é um conceito amplo que designa um conjunto de atributos, intrínsecos ao indivíduo, relacionados com a capacidade em reconhecer emoções em si e nos outros, saber regular as emoções e expressá-las adequadamente.

Na sociedade atual, a ausência de contacto físico e personalizado, em detrimento do uso excessivo de tecnologias e contacto à distância, tem contribuído para que, globalmente, se encontrem dificuldades ao nível da identificação e regulação emocionais. Se não estivermos cara a cara, a comunicação perde elementos-chave que são pistas para decifrar as emoções no outro. Se vivermos numa sociedade de permanentes estímulos e de gratificações imediatas, teremos dificuldade em saber esperar, lutar por objetivos e, consequentemente, dificuldade em lidar com a frustração.

Não é por mero acaso que em contexto empresarial seja cada vez mais considerada a inteligência emocional como fator de ponderação para o recrutamento. Um colaborador que saiba gerir as suas emoções será mais produtivo, envolve-se menos afetivamente, é menos permeável à interferência de fatores pessoais e lida melhor com a frustração.

Em contexto clínico, procuramos alertar para a importância dos aspetos emocionais e de que forma os podemos promover. Sim, porque todos, independentemente do sexo e idade, podemos melhorar a nossa inteligência emocional!

 

5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional:

1 – Faça uma lista com todos os tipos de emoções e sentimentos que conheça.

Do ponto de vista conceptual, emoções e sentimentos são diferentes, mas para o comum do indivíduo pode ser difícil esta destrinça. Como tal, não se incomode com isso. Faça uma lista onde identifique todas as emoções e sentimentos que conheça. São muitas: umas mais positivas que outras, mas todas com funções adaptativas.

2 – Assinale na lista de emoções e sentimentos, aqueles que, habitualmente, costuma sentir mais e menos.

3 – Para cada uma das emoções e sentimentos, identifique uma situação ou experiência que, habitualmente, o/a faça sentir assim.

4 – Para cada emoção e sentimento, responda às seguintes questões: esta emoção ou sentimento interferem negativamente com a minha atitude e comportamento? Se sim, perante esta situação como costumam reagir os que me rodeiam?

5 – Se perceber que o que sente em cada uma das situações é negativo, terá que estabelecer um plano de ação. Para isso, em cada situação na qual reage negativamente, identifique pensamentos que surjam, outras formas de comportamento, outros pontos de vista sobre aquela situação, tente colocar-se no lugar do outro (empatia). Sempre que essas situações ocorram, lembre-se que pode pensar de forma diferente, adotando uma postura mais distanciada. Por vezes, o que acontece não é propositado, nem lhe é dirigido, pelo que não deve levar as situações negativas “tão a peito”.

 

marco
Marco Martins Bento
(Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta)

Birras?! Socorro!

Lidar com uma birra pode não ser fácil.

Para a criança, a frustração de querer algo que não obtém; para os pais, a vergonha em não saber como controlar uma birra em público.

Em casa? O mesmo dilema: a birra perturba a relação entre a criança e os pais e também entre o casal (um cede à birra e o outro não!).

Este pode parecer um cenário muito negativo, mas retrata o que mais acontece, em privado e em público, com os pais que procuram a nossa ajuda.

Um progenitor acha que é importante não fazer “as vontades” da criança; o outro, desesperado, julga que o melhor é não contrariar para que a criança se acalme, evitando o prolongar da birra.

Em família, os avós dizem uma coisa, os tios dizem outra… Os pais ficam confusos e perdem algum discernimento para gerir um comportamento que não se deseja com regularidade: a birra da criança.

Uma coisa é certa: fazer birras faz parte do desenvolvimento. Em algum momento, com maior ou menor intensidade ou frequência, a criança reagirá com uma birra. Como tal, importa não agir por impulso, conhecer como lidar de modo positivo com esse comportamento e, sobretudo, ensinar à criança formas mais adequadas para comunicar desejos ou expressar desagrado ou frustrações.

No próximo workshop “Birras da Criança” iremos partilhar, de forma prática, simples e concreta, dicas úteis para que pais e educadores possam controlam as birras, demonstrando afeto positivo e modelando o comportamento da criança.

Se não puder estar presente saiba que, nas consultas de psicologia pediátrica, encontra apoio especializado para lidar com as birras.

Para uma birra é apenas uma birra e não tem que ser “um bicho de sete cabeças”.

 

Um abraço (sem birras!),

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Feliz Dia Mundial da Criança

Dizem que são o melhor do mundo.

Eu acredito que, além de serem o melhor do mundo, poderão transformar este num mundo melhor. São o nosso futuro.

Se queremos um mundo melhor, então, desenvolvamos crianças melhores, educando-as para um sentido de cidadania e possuidoras de valores morais.

É importante refletir sobre o que estamos a ensinar às nossas crianças, que oportunidades lhes asseguramos para que se desenvolvam harmoniosamente, que adultos somos nós e que exemplo lhes damos.

Não esqueçamos nunca que as crianças aprendem por imitação e com base nas experiências que têm. Se formos adultos responsáveis e equilibrados, certamente garantimos que as nossas crianças têm bons modelos para seguir.

A dimensão lúdica, ou seja, o jogo, garante que as crianças brincam e desenvolvem competências relacionais, cognitivas e emocionais.

Por isso, que nunca falte a brincadeira às nossas crianças, assim como oportunidades para que esta aprenda e reflita sobre os seus comportamentos e atitudes, apoiada por adultos capazes de a guiar por uma vida plena e harmoniosa.

 

Neste Dia Mundial da Criança responda às seguintes questões:

 

– As crianças que estão à minha volta são felizes?

– Quando estou com as crianças, passamos momentos de felicidade?

– Passo tempo suficiente e de qualidade com as minhas crianças?

– A brincadeira e o jogo fazem parte do nosso quotidiano?

– Permito que as crianças se desenvolvam adequadamente?

– E eu? Permito-me a expressar e a ouvir a “minha criança interior”?

 

Estou certo que a resposta a estas questões o/a farão refletir e ajudar a ter um Feliz Dia Mundial da Criança.

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Intervenção psicológica em hipertensos

O stress, traços de personalidade (sobretudo a inibição da hostilidade ou repressão de sentimentos), a ansiedade, a depressão e a alexitimia (dificuldade na expressão e/ou adequação emocional) são fatores psicossociais que desenvolvem, mantem e agravam a hipertensão.
Além da avaliação e intervenção médica e farmacológica, as investigações demonstram que na intervenção em hipertensos devem ser considerados os aspetos psicológicos no sentido de melhorar a sua qualidade de vida.
Concretamente, sabe-se que, em fases iniciais da doença, a intervenção psicossocial, por si só, pode ser suficiente para inibir o desenvolvimento da hipertensão.
Na psicologia, a intervenção deve centrar-se na mudança do estilo de vida, promoção de comportamentos positivos, redução de stress, promoção de competências sociais, estratégias de resolução de problemas e avaliação e intervenção na personalidade.
Do ponto de vista terapêutico, o treino de inoculação de stress e o relaxamento (nas suas diferentes vertentes) são as abordagens mais utilizadas.
Também usado, com regularidade, o treino de autocontrolo permite devolver ao indivíduo a responsabilidade pela adoção de comportamentos de saúde positivos.
Existem outras abordagens: o biofeedback, a terapia racional emotiva, as técnicas cognitivo-comportamentais. Qualquer uma destas terapias tem demonstrado ganhos na qualidade de vida dos hipertensos, através da melhoria do estilo de vida e mudança de comportamentos desadaptativos.
Identificar crenças associadas à hipertensão, discutir e analisar a lógica dessas convicções e encontrar pensamentos e comportamentos alternativos facilitam a adoção de atitudes positivas e que melhoram a condição do doente.
Importa destacar que a medicação antihipertensiva também acarreta efeitos indesejados, tais como fadiga, sonolência e dificuldade de concentração. Assim, encontrar formas alternativas de tratar a hipertensão, sobretudo em fases iniciais, é essencial.
A integração de terapêuticas psicológicas, associadas à mudança de hábitos alimentares e comportamentos aditivos (tabaco, álcool, etc) favorece, indubitavelmente, a vida de indivíduos hipertensos.
Na Clínica NirvanaMED tem ao seu dispor diferentes especialidades clínicas e holísticas que melhorarão a sua condição de saúde.
marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Que fatores psicológicos agravam a hipertensão?

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares que, por sua vez, representam a principal causa de morte nos países industrializados.
Com frequência a hipertensão arterial está associada a outras patologias como cardiopatias isquémicas, AVC’s e insuficiências cardíacas e renais.
Como, na maioria dos casos, a hipertensão é “silenciosa”, ou seja, não dá sintomas claros em fases precoces, importa estar vigilante quanto à sua deteção tão cedo quanto possível.
Em Portugal, cerca de 40% de indivíduos com mais de 40 anos são hipertensos.
Antes da hipertensão se instalar de forma mais grave, existe um período de desenvolvimento de picos de tensão que podem ser controlados e evitar uma hipertensão crónica.
Atualmente, sabe-se que são múltiplos os fatores que contribuem para a hipertensão. Os fatores genéticos e hemodinâmicos são os principais, todavia os aspetos psicossociais agravam a hipertensão.
Dentro dos fatores psicossociais, o stress e determinadas caraterísticas de personalidade são os que mais contribuem para o desenvolvimento e manutenção da hipertensão.
Indivíduos expostos a situações de stress estão mais propensos à hipertensão, sobretudo o designado stress social (situações em que a pessoa tem necessidade em exigir ser respeitada, tem que reivindicar os seus direitos e expressar sentimentos perante outras pessoas).

Quem tem maior tendência à hipertensão?
Os estudos demonstram que as pessoas menos afirmativas e que tendem a inibir as suas emoções estão mais propensas à hipertensão. De igual modo, os indivíduos mais agressivos, mas que inibem essa hostilidade, acumulam tensões e conflitos internos que se manifestam em alterações neuro endócrinas, com implicações na tensão arterial.
Em suma, do ponto de vista psicológico, pessoas mais inibidas emocionalmente, particularmente que reprimem emoções como a raiva, a ira, a hostilidade e ressentimentos, estão mais vulneráveis à hipertensão. Também a excessiva competitividade, elevado grau de empenho profissional e impaciência deixam as pessoas mais predispostas a stress e, consequentemente, agrava a possibilidade de hipertensão.

 
marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)