A COVID-19 afeta a saúde mental de mais de 80% dos portugueses

Mãos de adulto e criança segurando o recorte de papel de cérebro de encefalografia, consciência de epilepsia e alzheimer, distúrbio de convulsão, conceito de saúde mental Foto Premium

Com base no questionário criado pelo Barómetro Covid-19, o Opinião Social, de periodicidade semanal, que tem como objetivo acompanhar a evolução das perceções, sob o ponto de vista do cidadão, apurou que o coronavírus está a afetar a saúde mental de mais de 80% dos portugueses.

Neste questionário que apreende sobre a perceção de risco, a confiança nas instituições, o cumprimento das medidas veiculadas, a resposta dos serviços de saúde, os impactos no seu quotidiano e na saúde mental, entre outros fatores, apurou que ao fim de 4 semanas e com 166.886 questionários respondidos, os portugueses estão a adaptar-se aos fatores diretamente relacionados com a Covid-19, mas a sentir dificuldades em gerir a vida quotidiana de confinamento em casa.

De acordo com os resultados do estudo, a perceção individual do risco de contrair COVID-19 sofreu uma alteração notória, com uma diminuição de cerca de 25% da proporção de pessoas que considera ter um “risco elevado” (Sem1: 20,6%; Sem4: 15,5%). Da mesma forma é evidente uma variação de mais 21% no grupo das pessoas que consideram ter um “risco baixo” (Sem1: 33,4%; Sem4: 40,3%).

A equipa de investigação considera que a adaptação das pessoas a uma nova vida em confinamento pode ser uma explicação para esta alteração. “Houve um grande esforço de todos para integrarem, nas suas rotinas diárias, novos comportamentos de proteção. Hoje em dia, com estas medidas mais rotinadas e com mais informação disponível sobre a Covid-19 e, as pessoas podem estar a sentir-se mais capazes e confiantes para gerir esta situação, percecionando um menor risco”, avança Sónia Dias, coordenadora científica do Opinião Social.

Por outro lado, explica também que para uma diminuição generalizada da perceção de risco individual em contrair COVID-19 pode estar explicado pelo aumento do nível de confiança na capacidade de resposta do governo e dos serviços de saúde. “Mesmo entre as pessoas que consideram atualmente ter um “risco elevado” de contrair COVID-19, a grande maioria está “confiante” ou “muito confiante” na capacidade de resposta do governo (83,9%) e na dos serviços de saúde (81,4%) à pandemia provocada pela COVID-19”.

Nervoso salientou aluna sentindo dor de cabeça estudando no café Foto gratuita

Sentimentos negativos

Apesar do nível de confiança na capacidade de resposta das entidades de saúde ter aumentado e a perceção de risco individual ter diminuído com o passar das semanas, a frequência com que as pessoas reportam sentir-se agitadas, ansiosas, em baixo ou tristes mantém-se constante ao longo das semanas, sempre com cerca de 80% a reportar já se ter sentido assim e de 9% a reportar senti-lo diariamente.

“Esta ansiedade pode estar mais ligada a aspetos de caráter individual e de gestão da vida quotidiana em casa, resultantes das medidas de confinamento, do que propriamente com os aspetos relacionados com a doença em si ou com a resposta das entidades de saúde. Pelo que importa fazer chegar às pessoas estratégias concretas para gerirem melhor a sua vida laboral em simultâneo com a vida familiar, por exemplo”, avança Sónia Dias.

Para lidar melhor com a situação, 80% dos inquiridos afirma a importância do contacto com os familiares e amigos, mesmo que à distância. Mais de metade procura manter rotinas e aproveita o tempo para pôr em prática os seus hobbies favoritos. Cerca de 45% afirma limitar ao máximo a quantidade de informação que lê sobre o vírus.

A saúde mental dos Portugueses

82% dos respondentes reportaram efeitos negativos na sua saúde mental. Para contornar a situação, alguns assumem praticar atividade física e realizar atividades que proporcionam prazer, para a gestão da ansiedade. Em contrapartida, verifica-se um possível aumento do consumo de comida calórica, tabaco e álcool.

As mulheres, as pessoas em teletrabalho e os trabalhadores que suspenderam a atividade profissional são os grupos que suscitam maior preocupação.

Os questionários, respondidos entre os dias 21 de março e 10 de abril mostram que um quarto dos respondentes considera sentir-se agitado, ansioso, em baixo ou triste “todos os dias” ou “quase todos os dias”. Também 55% dos participantes admite que se tem sentido assim “alguns dias”. São os homens quem menos reporta sentir-se ansioso ou triste. Aliás, 27% dos homens refere que “nunca” se sente assim, comparativamente a apenas 15% das mulheres.

As pessoas que se têm sentido mais ansiosas ou tristes apresentam menores níveis de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e também se sentem em maior risco de contrair COVID-19.

Homem jovem intrigado, segurando a testa enquanto se sente stress Foto gratuita

Verificou-se ainda que 38% dos inquiridos revela sentir-se mais agitado ou ansioso comparativamente com o período antes da COVID-19. Também quase um terço reporta problemas relacionados com o sono, 25% sente que não consegue fazer tudo o que tem de fazer e 23% diz estar sempre a pensar em COVID-19.

São os homens que mais frequentemente reportam não ter sentido nenhuma alteração em relação ao período anterior (25% dos homens, em comparação com 14% das mulheres).

Em suma, 82% dos respondentes sente pelo menos um dos possíveis efeitos negativos na sua saúde mental, desencadeado pelo período de confinamento, derivado da pandemia do novo coronavírus.

Não desvalorize a sua saúde mental

O Barómetro Covid-19 é um projeto de investigação da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa, pretende contribuir, em tempo útil, aos desafios impostos pela pandemia global.

A equipa de investigadores por traz do projeto é multidisciplinar, composta por médicos de Saúde Pública e de Saúde Ocupacional, epidemiologistas, estatísticos, economistas, sociólogos, e psicólogos acompanham o desenvolvimento desta pandemia em Portugal e no Mundo, de diversas perspetivas.

Dada a importância que a saúde mental tem na vida de toda a comunidade, destacamos estes resultados como alerta deste período pandémico. As dificuldades sentidas podem ser amenizadas e merecem a sua atenção no imediato, a fim de tomar proporções mais incontroláveis.

Posto isto, procure por ajuda de profissionais qualificados para receber a melhor orientação possível.

Saiba que na Clínica NirvanaMED encontra profissionais dotados a recebê-lo, mesmo que online, empenhados em acompanha-lo nesta fase.

 

Estamos aqui por si e por todos.

 

 

 

A saúde e o Transpessoal

 

Amigos queridos,

Mais do que nunca, precisamos lembrar que somos profissionais da saúde, com orientação Transpessoal.

Maslow dizia o quanto a Psicologia foi omissa em momentos de tanta dor e sofrimento, em período de Guerra.

Podemos, todos nós juntos, fazermos a diferença e diferente.

Portanto, vamos sim, ter todas as medidas da sensação, da corporeidade e da concretude orientadas pela Organização Mundial da Saúde, entre outras.

A Abordagem Integrativa Transpessoal (A.I.T.) considera o real, a sociedade, o coletivo e o pessoal.

É o RECONHECIMENTO, está posto, com a humildade para recuar… E então, vem clara a IDENTIFICAÇÃO com as emoções que podem ser destrutivas de pânico, destruição e medo na louca coragem de experienciar o que nos chegou e foi reconhecido.

Mas, coragem! Ainda precisa ir além, ser ainda maior para ajudar e reorientar tanta energia de força e poder que paralisou o mundo.

Nesse sentido, o desmistificar, desintoxicar e DESINDENTIFICAR da consciência coletiva, acolhendo e dando voz a essa sombra oculta.

Liberar essa energia que ronda e roda em círculos, aprisionada, desgastando deixando o indivíduo exaurido e impotente.

Assim, o desapegar desse girar em círculo… abrir, desidentificar-se.

razão amorosa e sensata que nos oportuniza essa desidentificação de pensamentos e crenças limitantes. Há uma epidemia, mas não somos só a epidemia. Somos algo além disso.

Abrir-se para a intuição como aliada.

TRANSMUTAÇÃO acontece. Sai-se do pânico, do temor e do horror. Há grande compaixão por tudo e por todos.

Constata-se as várias faces deste contexto.

Nada é inteiramente verdade, nada é inteiramente mentira. Nada é 100% mal ou 100% bom.

A compaixão por si próprio, pelo outro, pelo todo.

A abertura ao todo maior que nos revela que a unidade não se faz só na presença física ou nas selfies da caricatura da imagem de felicidade constante, mas inúmeras vezes na incerteza e impermanência do próprio caminhar.

Há que se confiar, ter fé, render-se, aceitar e se entregar ao MAIOR em nós e no Universo.

É a pausa, e o Milagre acontece.

Há um novo olhar, o olhar de um outro lugar.

TRANSFORMAÇÃO real. De dentro para fora. De fora para dentro.

A equanimidade é presente, promove a ELABORAÇÃO do self, aquieta nosso coração, apazigua nossa alma, revela-nos o propósito maior, além de medos reais ou imaginários; além das teorias da conspiração política ou económica. Não importa.

E um sorriso sereno emerge. É a Consciência, a plena presença, o propósito sagrado que está por traz de todos os eventos factuais.

A certeza de que cada um de nós tem um papel neste momento planetário. Cada ser humano faz a diferença neste planeta.

Cada um de nós tem algo único e singular a contribuir neste grande salto evolutivo.

É o amor maior, o mais elevado estado de consciência.

Amar ao próximo como a si mesmo, a real Mente Única que se evidenciou epidemicamente, e na INTEGRAÇÃO do amor em nossas ações no plano pessoal, profissional e coletivo, traz a verdadeira Consciência da Unidade, pela sabedoria com harmonia no belo, bom e Verdadeiro.

É a alegria real e genuína de fazermos parte desta incrível etapa de transição planetária, de receber e contribuir para que o Sol interior brilhe em cada ser humano…

Assim é… assim será… Vamos nos conectar ao Sol externo.

Ele clareia nosso caminho e traz a assepsia do calor. Recorda-nos o grande Sol, fonte e origem de tudo e de todos.

Remete-nos à luz interior, ao calor espiritual que nos aquece nos abraços e beijos de luz para o próximo, para toda humanidade, a cada momento.

Recorda-nos de que existe um Sol interior iluminando a nossa jornada existencial planetária, nesta grande Sinfonia Cósmica.

Envio, assim, muitos abraços e beijinhos de luz ensolarados para todos vocês!

 

Autoria:
Vera Saldanha
Psicóloga e Doutora em Psicologia Transpessoal
Presidente ALUBRAT – Brasil

 

Dr.ª Vera Saldanha é oradora confirmada no II Simpósio Internacional Ciência & Espiritualidade.

O meu filho só se interessa pelos jogos eletrónicos!

Os pais do séc. XXI parecem desesperados.

Na internet, na televisão ou em conversas com amigos todos têm opiniões diferentes sobre a parentalidade, limites e regras a impor aos nossos filhos. Os pais ficam confusos e a confusão gera dúvidas, incertezas e inseguranças sobre como ser “bom pai” ou “boa mãe”. Quando a dúvida se instala, os pais tendem a deixar de desempenhar com firmeza o seu papel de educadores e submetem-se às exigências dos filhos.

Perante um, cada vez maior, apelo pelas tecnologias, as crianças mostram grande interesse pelo uso de aparelhos eletrónicos e jogos. Jogos cada vez mais apelativos, pensados para “viciar” as crianças, com fortes sistemas de recompensa.

Com um cérebro em profunda maturação, ainda pouco hábil ao autocontrolo, é fácil às crianças perderem a noção de tempo e alienarem-se do que as rodeia. E alguns pais, ao invés de imporem limites aos filhos no uso de jogos, são os primeiros a incentivar as crianças, oferecendo telemóveis, tablets, consolas e jogos. A maioria das crianças que veem à minha consulta, enquanto aguardam na sala de espera, ficam a jogar no próprio telemóvel ou no dos pais. Esta parece ser a solução mais fácil e imediata para manter a criança sossegada, mas isto tem consequências!

Mais imediatamente, estamos a privar a criança de interagir adequadamente com o meio que a rodeia. Não ensinamos à criança a noção de tempo e de espera, porque sempre que esta fica alienada a jogar não aprende a esperar e a gerir o seu comportamento de forma consciente. A longo prazo, limitamos os interesses e inibimos a exploração que esta faz do meio em que vive e reduzimos a sua curiosidade.

Posto isto, é natural que a criança não desenvolva competências sociais e interpessoais, uma vez que aprende que na vida tudo pode ser como um jogo em que pode parar, reiniciar e jogar as vezes que quiser, quando quiser. Estamos a formar crianças e jovens com baixa tolerância à frustração, com baixos níveis de empatia e com pouca consciência de si.

Urge substituir o excesso de tecnologias por maior interação e mais jogos de tabuleiro em que os pais e outros adultos e crianças se mobilizam. A bem da diversão, das nossas crianças e do futuro das nossas gerações.

 

Marco Martins Bento

marco
Marco Martins Bento
(Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta)

Divórcio dos pais: qual o lugar da criança?

Segundo o PORDATA, em 2017, por cada 100 casamentos houve 64 divórcios. Um número que nos faz refletir sobre as mudanças sociais profundas que se traduziram numa multiplicidade de tipos de famílias.

Para as crianças, a fantasia de viver num seio familiar com o pai e a mãe, muitas vezes promovida em filmes e desenhos animados, leva-as a ter maior dificuldade em aceitar a separação dos pais. Com frequência, a criança sente que pode ser a culpada pelo divórcio ou que os pais não mais a amarão como antes, e esta terá que escolher com quem ficar. É um período nunca fácil, mas que, se for bem gerido, será entendido naturalmente pela criança.

Quando a separação entre os pais ocorre sem mútuo consentimento, num clima conflituoso – divórcio litigioso -, a criança poderá ser disputada pelos pais e, muitas vezes, usada como “arma de arremesso” no conflito entre os progenitores.

Nesta guerra, indesejada pela criança, os pais poderão disputar pela sua guarda, pelos bens da mesma e tentar influenciar a perceção que esta tem do outro progenitor, fazendo-a acreditar que o outro (pai ou mãe) não gostará dela.

Internamente, a criança sente que terá que escolher em que lado se colocar, pode adotar um discurso pouco coerente pautado pela desejabilidade de um dos progenitores, e poderá desenvolver problemas de comportamento, dificuldades escolares, problemas de autoestima e, a longo termo, problemas de personalidade.

Num processo de divórcio, a criança deverá ser colocada em primeiro lugar, ao invés de se privilegiar uma guerra de egos entre pai e mãe.

Não esqueça:

– A criança vai sofrer e pode sentir-se culpada pela separação;

– Poderão surgir problemas de comportamento e dificuldades emocionais;

– Poderá sentir que os pais não gostam dela e recear ser abandonada;

– Se a separação for gerida com bom senso, a criança compreenderá o divórcio e aceitará a sua nova rotina.

 

marco
Marco Martins Bento
Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta

5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional

5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional

 

A autoconsciência emocional é uma dimensão da inteligência emocional.

A inteligência emocional é um conceito amplo que designa um conjunto de atributos, intrínsecos ao indivíduo, relacionados com a capacidade em reconhecer emoções em si e nos outros, saber regular as emoções e expressá-las adequadamente.

Na sociedade atual, a ausência de contacto físico e personalizado, em detrimento do uso excessivo de tecnologias e contacto à distância, tem contribuído para que, globalmente, se encontrem dificuldades ao nível da identificação e regulação emocionais. Se não estivermos cara a cara, a comunicação perde elementos-chave que são pistas para decifrar as emoções no outro. Se vivermos numa sociedade de permanentes estímulos e de gratificações imediatas, teremos dificuldade em saber esperar, lutar por objetivos e, consequentemente, dificuldade em lidar com a frustração.

Não é por mero acaso que em contexto empresarial seja cada vez mais considerada a inteligência emocional como fator de ponderação para o recrutamento. Um colaborador que saiba gerir as suas emoções será mais produtivo, envolve-se menos afetivamente, é menos permeável à interferência de fatores pessoais e lida melhor com a frustração.

Em contexto clínico, procuramos alertar para a importância dos aspetos emocionais e de que forma os podemos promover. Sim, porque todos, independentemente do sexo e idade, podemos melhorar a nossa inteligência emocional!

 

5 passos para desenvolver a sua autoconsciência emocional:

1 – Faça uma lista com todos os tipos de emoções e sentimentos que conheça.

Do ponto de vista conceptual, emoções e sentimentos são diferentes, mas para o comum do indivíduo pode ser difícil esta destrinça. Como tal, não se incomode com isso. Faça uma lista onde identifique todas as emoções e sentimentos que conheça. São muitas: umas mais positivas que outras, mas todas com funções adaptativas.

2 – Assinale na lista de emoções e sentimentos, aqueles que, habitualmente, costuma sentir mais e menos.

3 – Para cada uma das emoções e sentimentos, identifique uma situação ou experiência que, habitualmente, o/a faça sentir assim.

4 – Para cada emoção e sentimento, responda às seguintes questões: esta emoção ou sentimento interferem negativamente com a minha atitude e comportamento? Se sim, perante esta situação como costumam reagir os que me rodeiam?

5 – Se perceber que o que sente em cada uma das situações é negativo, terá que estabelecer um plano de ação. Para isso, em cada situação na qual reage negativamente, identifique pensamentos que surjam, outras formas de comportamento, outros pontos de vista sobre aquela situação, tente colocar-se no lugar do outro (empatia). Sempre que essas situações ocorram, lembre-se que pode pensar de forma diferente, adotando uma postura mais distanciada. Por vezes, o que acontece não é propositado, nem lhe é dirigido, pelo que não deve levar as situações negativas “tão a peito”.

 

marco
Marco Martins Bento
(Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta)

Birras?! Socorro!

Lidar com uma birra pode não ser fácil.

Para a criança, a frustração de querer algo que não obtém; para os pais, a vergonha em não saber como controlar uma birra em público.

Em casa? O mesmo dilema: a birra perturba a relação entre a criança e os pais e também entre o casal (um cede à birra e o outro não!).

Este pode parecer um cenário muito negativo, mas retrata o que mais acontece, em privado e em público, com os pais que procuram a nossa ajuda.

Um progenitor acha que é importante não fazer “as vontades” da criança; o outro, desesperado, julga que o melhor é não contrariar para que a criança se acalme, evitando o prolongar da birra.

Em família, os avós dizem uma coisa, os tios dizem outra… Os pais ficam confusos e perdem algum discernimento para gerir um comportamento que não se deseja com regularidade: a birra da criança.

Uma coisa é certa: fazer birras faz parte do desenvolvimento. Em algum momento, com maior ou menor intensidade ou frequência, a criança reagirá com uma birra. Como tal, importa não agir por impulso, conhecer como lidar de modo positivo com esse comportamento e, sobretudo, ensinar à criança formas mais adequadas para comunicar desejos ou expressar desagrado ou frustrações.

No próximo workshop “Birras da Criança” iremos partilhar, de forma prática, simples e concreta, dicas úteis para que pais e educadores possam controlam as birras, demonstrando afeto positivo e modelando o comportamento da criança.

Se não puder estar presente saiba que, nas consultas de psicologia pediátrica, encontra apoio especializado para lidar com as birras.

Para uma birra é apenas uma birra e não tem que ser “um bicho de sete cabeças”.

 

Um abraço (sem birras!),

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Feliz Dia Mundial da Criança

Dizem que são o melhor do mundo.

Eu acredito que, além de serem o melhor do mundo, poderão transformar este num mundo melhor. São o nosso futuro.

Se queremos um mundo melhor, então, desenvolvamos crianças melhores, educando-as para um sentido de cidadania e possuidoras de valores morais.

É importante refletir sobre o que estamos a ensinar às nossas crianças, que oportunidades lhes asseguramos para que se desenvolvam harmoniosamente, que adultos somos nós e que exemplo lhes damos.

Não esqueçamos nunca que as crianças aprendem por imitação e com base nas experiências que têm. Se formos adultos responsáveis e equilibrados, certamente garantimos que as nossas crianças têm bons modelos para seguir.

A dimensão lúdica, ou seja, o jogo, garante que as crianças brincam e desenvolvem competências relacionais, cognitivas e emocionais.

Por isso, que nunca falte a brincadeira às nossas crianças, assim como oportunidades para que esta aprenda e reflita sobre os seus comportamentos e atitudes, apoiada por adultos capazes de a guiar por uma vida plena e harmoniosa.

 

Neste Dia Mundial da Criança responda às seguintes questões:

 

– As crianças que estão à minha volta são felizes?

– Quando estou com as crianças, passamos momentos de felicidade?

– Passo tempo suficiente e de qualidade com as minhas crianças?

– A brincadeira e o jogo fazem parte do nosso quotidiano?

– Permito que as crianças se desenvolvam adequadamente?

– E eu? Permito-me a expressar e a ouvir a “minha criança interior”?

 

Estou certo que a resposta a estas questões o/a farão refletir e ajudar a ter um Feliz Dia Mundial da Criança.

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Intervenção psicológica em hipertensos

O stress, traços de personalidade (sobretudo a inibição da hostilidade ou repressão de sentimentos), a ansiedade, a depressão e a alexitimia (dificuldade na expressão e/ou adequação emocional) são fatores psicossociais que desenvolvem, mantem e agravam a hipertensão.
Além da avaliação e intervenção médica e farmacológica, as investigações demonstram que na intervenção em hipertensos devem ser considerados os aspetos psicológicos no sentido de melhorar a sua qualidade de vida.
Concretamente, sabe-se que, em fases iniciais da doença, a intervenção psicossocial, por si só, pode ser suficiente para inibir o desenvolvimento da hipertensão.
Na psicologia, a intervenção deve centrar-se na mudança do estilo de vida, promoção de comportamentos positivos, redução de stress, promoção de competências sociais, estratégias de resolução de problemas e avaliação e intervenção na personalidade.
Do ponto de vista terapêutico, o treino de inoculação de stress e o relaxamento (nas suas diferentes vertentes) são as abordagens mais utilizadas.
Também usado, com regularidade, o treino de autocontrolo permite devolver ao indivíduo a responsabilidade pela adoção de comportamentos de saúde positivos.
Existem outras abordagens: o biofeedback, a terapia racional emotiva, as técnicas cognitivo-comportamentais. Qualquer uma destas terapias tem demonstrado ganhos na qualidade de vida dos hipertensos, através da melhoria do estilo de vida e mudança de comportamentos desadaptativos.
Identificar crenças associadas à hipertensão, discutir e analisar a lógica dessas convicções e encontrar pensamentos e comportamentos alternativos facilitam a adoção de atitudes positivas e que melhoram a condição do doente.
Importa destacar que a medicação antihipertensiva também acarreta efeitos indesejados, tais como fadiga, sonolência e dificuldade de concentração. Assim, encontrar formas alternativas de tratar a hipertensão, sobretudo em fases iniciais, é essencial.
A integração de terapêuticas psicológicas, associadas à mudança de hábitos alimentares e comportamentos aditivos (tabaco, álcool, etc) favorece, indubitavelmente, a vida de indivíduos hipertensos.
Na Clínica NirvanaMED tem ao seu dispor diferentes especialidades clínicas e holísticas que melhorarão a sua condição de saúde.
marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Que fatores psicológicos agravam a hipertensão?

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares que, por sua vez, representam a principal causa de morte nos países industrializados.
Com frequência a hipertensão arterial está associada a outras patologias como cardiopatias isquémicas, AVC’s e insuficiências cardíacas e renais.
Como, na maioria dos casos, a hipertensão é “silenciosa”, ou seja, não dá sintomas claros em fases precoces, importa estar vigilante quanto à sua deteção tão cedo quanto possível.
Em Portugal, cerca de 40% de indivíduos com mais de 40 anos são hipertensos.
Antes da hipertensão se instalar de forma mais grave, existe um período de desenvolvimento de picos de tensão que podem ser controlados e evitar uma hipertensão crónica.
Atualmente, sabe-se que são múltiplos os fatores que contribuem para a hipertensão. Os fatores genéticos e hemodinâmicos são os principais, todavia os aspetos psicossociais agravam a hipertensão.
Dentro dos fatores psicossociais, o stress e determinadas caraterísticas de personalidade são os que mais contribuem para o desenvolvimento e manutenção da hipertensão.
Indivíduos expostos a situações de stress estão mais propensos à hipertensão, sobretudo o designado stress social (situações em que a pessoa tem necessidade em exigir ser respeitada, tem que reivindicar os seus direitos e expressar sentimentos perante outras pessoas).

Quem tem maior tendência à hipertensão?
Os estudos demonstram que as pessoas menos afirmativas e que tendem a inibir as suas emoções estão mais propensas à hipertensão. De igual modo, os indivíduos mais agressivos, mas que inibem essa hostilidade, acumulam tensões e conflitos internos que se manifestam em alterações neuro endócrinas, com implicações na tensão arterial.
Em suma, do ponto de vista psicológico, pessoas mais inibidas emocionalmente, particularmente que reprimem emoções como a raiva, a ira, a hostilidade e ressentimentos, estão mais vulneráveis à hipertensão. Também a excessiva competitividade, elevado grau de empenho profissional e impaciência deixam as pessoas mais predispostas a stress e, consequentemente, agrava a possibilidade de hipertensão.

 
marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)