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DEPRESSÃO CRÓNICA: uma dor para sempre?

Sentir-se em baixo, desanimado(a), sem vontade em fazer tarefas que antes lhe davam prazer, sonolência ou cansaço excessivo, ou mesmo irritabilidade e choro, são alguns dos principais sintomas da Depressão.

Esta é uma das perturbações psiquiátricas com grande incidência na população portuguesa, estimando-se que sejam as mulheres acima dos 45 anos quem mais apresentam quadros depressivos. Ainda assim, os homens também deprimem e com maior gravidade, contudo, as suas manifestações passam, por vezes, despercebidas por isolamento ou vergonha.

Importa clarificar que estar deprimido não é a mesma coisa que estar triste.

O estado depressivo implica um prolongamento no tempo, onde a tristeza predomina e não desaparece com o passar dos dias, tornando-os dolorosos e angustiantes.

De entre as perturbações depressivas, encontramos uma patologia de humor deprimido caraterizada pela cronicidade dos seus sintomas: a Distimia.

A Distimia, humor distímico ou perturbação distímica, é uma forma de depressão que se prolonga por vários anos. Recorrentemente a sua gravidade não é tão extrema e intensa, pelo que o indivíduo “habitua-se” a viver com a depressão, tendo dificuldade em sair de um estado permanente de tristeza e desânimo perante a vida. A certa altura, sentir-se em baixo torna-se já parte da sua maneira de ser e deixa de lutar contra a depressão, resignando-se.

É comum que estas pessoas verbalizem: “não consigo”, “já nada me corre bem”, “a minha vida é um pesadelo”, “nem vale a pena tentar”; numa atitude derrotista e pessimista. Paralelamente, tornam-se dependentes de medicação para dormir, resistindo à toma de anti-depressivos.

É fundamental estar atento a estes comportamentos. Mantenha-se alerta e apoie alguém que possa estar a passar por esta dificuldade.

Com abraço fraterno.

 

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

A Comunicação Negativa Atrai Relações Tóxicas

Certamente já ouviu falar em “relações tóxicas”.

Não é um termo técnico, ainda assim, é um jargão que facilmente depreenderá, daí que seja cada vez mais recorrente usar-se para caraterizar os relacionamentos que não acrescentam nada de bom às nossas vidas.

Já pensou quantas relações destas tem? E já refletiu acerca de como tem alimentado estes relacionamentos?

São questões complicadas, reconhecemos, de qualquer modo é fundamental que procure compreender porque motivo estes relacionamentos são perpetuados, ao invés de se afastar daquilo que o magoa.

Não há, a este respeito, respostas infalíveis. Sabemos que são muitos os aspetos que condicionam a manutenção de determinadas relações.

Se considerarmos a comunicação como um elemento central nas interações e, sobretudo, no estabelecimento de vínculos afetivos, podemos apontar as emoções, ou fundamentalmente, a dificuldade em geri-las corretamente, como um catalisador para o surgimento ou agravamento de conflitos que tornam a comunicação negativa e desgastante.

Em momentos de tensão, alturas privilegiadas de desregulação emocional, é comum estarmos menos aptos a interpretar corretamente as mensagens, conduzindo a um enviesamento da informação. Isto constitui, por si só, um ciclo vicioso se alimentado por um interlocutor que tenderá a reagir do mesmo modo.

Costuma dizer-se que uma discussão somente acontece se existirem pelo menos dois intervenientes que alimentam, mutuamente, um padrão de comunicação desajustado.

Do mesmo modo, as relações tóxicas, caraterizadas por estilos comunicacionais agressivos ou manipuladores, punitivos e castradores, apenas são mantidos se ambos quiserem e contribuírem para tal.

A comunicação positiva e assertiva é uma postura afirmativa que traz o respeito por si e pelos outros, limita a influência que os demais querem ter sobre a sua vida e faz de si uma pessoa mais confiante e segura.

 

marco
Marco Martins Bento
(psicólogo e psicoterapeuta).