A “Baleia Azul” e os desafios da adolescência

ATENÇÃO:

CONTÉM IMAGENS REAIS E QUE PODEM FERIR A SUSCETIBILIDADE DOS MAIS SENSÍVEIS

 

Recentemente, vieram a público notícias que relatavam a existência de um “jogo”, entre adolescentes, que rapidamente se estava a espalhar por todo o mundo e que já tinha sido a causa de morte de dezenas de jovens.

Este jogo, designado por “Baleia Azul”, consiste na realização de 50 tarefas, a maioria delas auto lesivas, isto é, provocam dano físico e psicológico em quem as concretiza. Em síntese, vão desde cortes ou feridas em partes do corpo até ao extremo de por em risco a vida, por exemplo, pendurando-se num parapeito da janela a grande altitude ou na estrutura de uma ponte. A tarefa final é o suicídio!

A execução destas atividades é orientada por um “elemento”, habitualmente um outro adolescente ou jovem adulto que, numa posição dominante, avalia o desempenho dos “jogadores”, pune ou elogia e ordena o que deve ser feito a seguir.

 

O que leva os jovens a entrar neste desafio?

Para entrar neste jogo o jovem deve ser convidado, habitualmente através de grupos específicos em fóruns ou redes sociais. Na maior parte dos casos, são os jovens mais frágeis emocionalmente que demonstram maior propensão para entrar no jogo. O elemento dominante, com quem contacta via online, vai descobrindo as fragilidades do “jogador” e mostra-se interessado pelos seus problemas, especialmente questões relacionadas com a adolescência, amizades, namoros ou família e, aos poucos, ganha a sua confiança e apreço, tornando mais fácil com que o “jogador” obedeça cegamente a todas as suas instruções.

A partir do momento em que o jovem entra no jogo pode ser-lhe difícil sair, uma vez que o elemento dominante cria a ilusão de que já conhece a “vítima”, fazendo pressão psicológica e ameaças de retaliação física. Há relatos de falsos vídeos que são mostrados sobre mortes de que abandonou o jogo. Assim, o “jogador” tem medo e sente que se abandonar o jogo e aquela figura de referência estará a dececionar quem confia nele e nas suas capacidades (por exemplo, na sua coragem em realizar as tarefas com êxito). No fundo, participar no jogo é uma forma do jovem, recorrentemente com baixa autoestima e poucas amizades, provar a si próprio, ao elemento dominante e aos outros que é uma pessoa capaz e corajosa.

 

Como evitar ou parar o jogo?

É importante estar alerta a sinais que possam ser indício de que o jovem está a participar no jogo. Esteja particularmente atento a estes aspetos:

1) Feridas e inscrições nas palmas das mãos;

2) Sinais de automutilação (braços, pernas, lábios);

3) Interesse repentino por filmes de terror;

4) Atividades a meio da madrugada;

5) Exposição ao perigo (subir a alturas, debruçar-se, …);

6) Desenhos de baleias;

7) Ficar sem conversar por longos período.

 

Se detetar comportamentos anómalos, sendo alguns deles acima elencados, considere uma conversa franca com o jovem, dando-lhe espaço para que explique o que está a acontecer. Equacione a possibilidade deste negar, por medo. Dê-lhe confiança e segurança de que vai ser ajudado e que nada de mal lhe acontecerá. Pondere recorrer a ajuda psicológica ou colaboração da polícia para alertar o jovem dos riscos que corre.

Estamos aqui para ajudar.

marco.bento@nirvanamed.pt


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)