Isso são coisas da tua cabeça!

A doença mental é, a par da doença física, reconhecida desde há muito como entidade diagnóstica com relevância clínica pela interferência que provoca na vida de quem dela sofre.

Os estudos mais recentes indicam um aumento das perturbações mentais, sobretudo a depressão e ansiedade.

De uma forma clara, as exigências do quotidiano têm conduzido as pessoas a enfrentarem as dificuldades que se lhes afiguram como complexas e difíceis de ultrapassar. A noção de que perante um obstáculo não se possuem os recursos necessários para a sua resolução coloca o indivíduo numa situação de vulnerabilidade, aumentando o risco para o aparecimento de medos e ansiedades exageradas, traumas e sentimentos depressivos.

Durante muito tempo estes estados emocionais foram desvalorizados, mesmo por terapeutas e clínicos. Hoje, é consensual para quem trabalha em saúde que as perturbações descritas podem ser graves, provocam sofrimento e debelam a vida de quem delas padece.

Apesar da mudança de paradigma, ainda há quem menospreze estas condições: “isso passa!”; “isso são coisas da tua cabeça!”; “não penses nisso!”.

Mas será que temos essa atitude perante uma pessoa com doença oncológica? “isso passa!”; “está tudo na tua cabeça!”… Então porque ainda há quem julgue o sofrimento associado à doença mental menos válido?

Se conhece quem vive nesta realidade, não julgue, não questione ou ponha em causa o sofrimento. Mostre compreensão, escute e apoie.


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)