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5 dicas para melhorar as relações.

Esta semana falemos apenas de coisas boas:

As 5 melhores dicas para ser bem-sucedido nas relações.

Se existe algo complexo no nosso quotidiano, as relações são, indubitavelmente, uma delas.
Na verdade, é muito difícil não estar em relação! Relacionamo-nos com a família, com colegas de trabalho, com os vizinhos, com amigos, até com o senhor do talho ou a menina da mercearia.
É importante não esquecer que os relacionamentos não são apenas os vínculos que se estabelecem numa relação amorosa; eles (os relacionamentos) são uma extensão de nós próprios enquanto seres sociais (pois não podemos viver debaixo de uma pedra ou enredomados!).
Assim, se estivermos conscientes de que as múltiplas relações estabelecidas contribuem, decisivamente, para processos internos como a autoestima, autoconfiança ou autoconceito em geral, mais fácil será desenvolvermos esforços no sentido de melhorarmos o modo como nos relacionamos com os demais.

1. Seja flexível e permita-se mudar, de vez enquanto!
”Eu sou como sou! Quem gosta, gosta, quem não gosta, deixa na borda do prato!”
Quantas vezes já ouvimos isto? Muitas, de certo! Esta é uma das crenças mais limitantes das relações: acreditar-se que o modo como os outros nos olham é pouco importante e que, qualquer pessoa nos vai aceitar com todas as nossas caraterísticas; mesmo que algumas delas sejam difíceis de suportar.
Bem, na realidade, as relações são recíprocas continuamente (ou pelo menos devem ser). Ninguém pode exigir de nós algo sem que esteja disposta também a dar. Este é um ponto fundamental. Todos nós temos aspetos que podemos mudar, melhorar, flexibilizar, sem que isso magoe os nossos valores e princípios. As relações agradecem e nós também!

2. Seja ponderado e escute os outros
Muitos problemas nas relações advêm de lapsos na comunicação. É imprescindível estar disponível para escutar o que nos querem dizer, mesmo que nas entrelinhas. Comportamentos intempestivos e pouco refletidos também tendem a afastar as pessoas ao nosso redor, por isso aja mais com a razão.

3. Não queira ser o guru das relações
Custa a acreditar que se consigam manter demasiadas relações e todas elas com laços bastante positivos. Você não consegue multiplicar-se e relacionar-se em íntimo com todas as pessoas. Reconheça que apenas algumas pessoas poderão ser suas amigas, as restantes serão conhecidas, colegas, ….
Se partir deste pressuposto, estará mais consciente a ter atitudes adequadas com os diferentes intervenientes: com amigos as partilhas serão mais íntimas, com conhecidos mais superficiais, com colegas de trabalho serão mais voltadas para as questões laborais. Querer manter relações simétricas com todos pode levar a papéis difusos e confusos!

4. Valorize o não verbal
Já se costuma dizer: há imagens que valem mais que mil palavras.
Nas relações também isso acontece. Esteja mais atento ao comportamento não verbal: um olhar, um frangir de testa, um encolher de ombros podem ser reveladores e fornecem dicas importantes para adequarmos o nosso discursos e expetativa.

5. Faça um esforço por compreender os outros
Não precisa “vestir a pele” dos outros a todo o momento, mas é importante que vá tentando colocar-se no lugar do outro. Quando promovemos algo que se chama empatia (a capacidade para compreender o que o outro está a sentir) asseguramos que a nossa postura é mais sintónica com quem nos relacionamos. E em boa verdade, ninguém gosta de sentir que está a falar para o “boneco”.

Desejamos votos de boas relações!
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Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Quando a ansiedade toma conta de nós.

Num meio tão exigente como aquele em que vivemos, o stress e a ansiedade tendem a estar presentes no nosso dia a dia.

Aliás, tal condição afeta, de modo significativo, tantas pessoas que muitas já nem sabem o que é viver sem se sentirem ansiosas, receosas e com medo.

Sentir ansiedade é perfeitamente normal. Não existe ansiedade apenas no mundo contemporâneo, ela (ansiedade) resulta de uma resposta emocional orgânica que é primitiva e que vem desde a origem dos seres vivos. Mesmo os animais sentem-se ansiosos!

O processo ansiogénico é consequência de um mecanismo adaptativo para nos colocar alerta e em vigília por forma a reagirmos mais rapidamente face a estímulos potencialmente perigosos à nossa sobrevivência. Por exemplo, se vir um leão à minha frente é expetável que me sinta ansioso e que o meu corpo se prepare para a fuga.

Isto é desencadeado pela emoção do medo, originada no nosso cérebro, e que envia sinais ao corpo para ter uma reação de fuga ou luta. Sempre foi assim e é tão natural como bebermos água.

A verdadeira dificuldade está quando este mecanismo de sobrevivência e ativação orgânica se encontra alterado, isto é, a nossa mente ao invés de reagir apenas a estímulos potencialmente perigosos passa a reagir a muitas outras situações do nosso quotidiano, provocando medo e ansiedade que interferem de modo significativo com a nossa vida.

Experiências emocionais traumáticas do passado, mal processadas pela mente, estão na origem do aparecimento deste medo desajustado e permitem manter a ansiedade, generalizando-a a diferentes estímulos, através de condicionamentos (aprendizagens) desadaptativos.

Como consequência, ocorre uma sobre ativação fisiológica (taquicardia, sudorese, tremores, tonturas e vertigens, …), cognitiva (pensamentos de incompetência ou perda de controlo, …) e comportamental (evitamento, isolamento, …) que, a médio prazo, o indivíduo passa a ter maior dificuldade em gerir.

É da dificuldade em controlar esta desregulação emocional, prolongada no tempo, com um grau de interferência elevado e com sintomas debilitantes, que surgem as perturbações de ansiedade.

Fique atento, pois, mais tarde, falarei sobre os tratamentos para a ansiedade que, comprovadamente, são eficazes.

 

marco
Marco Martins Bento

(psicólogo clínico e psicoterapeuta EMDR)