A psicoterapia EMDR no tratamento da ansiedade

A ansiedade é tida como um dos grandes problemas da sociedade contemporânea.

A venda de psicofármacos, especificamente ansiolíticos e benzodiazepinas, para reduzir os sintomas de ansiedade, tem disparado, representando um elevado custo para o Estado na comparticipação desses medicamentos. Para além deste custo direto, não podemos esquecer os custos indiretos, como o absentismo laboral (baixas psiquiátricas) ou a quebra de produtividade.

Se conhecemos claramente o quanto a ansiedade afeta o nosso rendimento, porque motivo ainda não investimos adequadamente em tratamentos eficazes?

Uma razão parece-nos óbvia: questões meramente economicistas! O Estado continua a preferir comparticipar a medicação, alimentado os interesses das farmacêuticas, em detrimento de apostar na prevenção através da contratação de psicólogos para os serviços de saúde primária ou através da comparticipação de cuidados psicoterapêuticos no setor privado.

Este paradigma resulta no aumento da venda de fármacos que, efetivamente, reduzem os sintomas de ansiedade, mas não os resolvem completamente pois não atuam na origem do problema nem fornecem ao paciente os recursos internos que este necessita para enfrentar a ansiedade.

No combate à ansiedade, aos medos e fobias, a psicoterapia EMDR® mostra-se, atualmente, uma abordagem terapêutica efetiva e eficaz. Além de breve, esta psicoterapia facilita o acesso às memórias dolorosas que originam ou agravam a ansiedade, mesmo que inconscientemente.

Através do acesso a essas memórias, é possível ao terapeuta dessensibilizar e reprocessar o conteúdo doloroso, incrementando recursos positivos e de empoderamento que resultam numa melhoria clara da ansiedade.

Com frequência os pacientes desejam saber se vão esquecer as memórias dolorosas. Em verdade, as memórias não são apagadas nem esquecidas, mas deixam de provocar dor e sofrimento! Também nos questionam se a ansiedade desaparecerá com o EMDR®. Importa clarificar que a ansiedade nunca desaparecerá por completo, pois este estado deriva de uma emoção de medo que todos temos e que nos protege perante as adversidades e perigos. O que sucede é que a ansiedade se mantém, mas em níveis reduzidos e adequados, ou seja, aparece apenas quando é necessária.

Deste modo, a psicoterapia EMDR® é indicada, recomendada e adequada no tratamento da ansiedade.

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

A distância que nos aproxima: CONSULTAS ONLINE

O uso de novas tecnologias é encarado como um “um pau de dois gumes”. Por um lado, tornou possível o contacto mais breve, permitiu a troca global de bens e serviços e possibilitou-nos ter acesso a um infindável leque de oportunidades, no entanto, por outro lado, trouxe-nos fenómenos como o assédio virtual, a difusão de conteúdos chocantes e moralmente condenáveis, ou mesmo o maior risco a fraudes online.

Esta dicotomia deixa-nos pouco confortáveis por estarmos cientes de que as novas tecnologias podem ter um lado perverso e, por vezes, difícil de controlar.

Todavia, as novas formas de comunicação não são “um bicho papão” e comportam potencialidades que, em muito, melhoraram as nossas vidas. Na verdade, cabe a cada um de nós fazer bom uso dessas ferramentas e tomar as devidas cautelas para evitar determinados riscos.

Como a internet é utilizada massivamente, e são cada vez mais os que a utilizam para trabalho e lazer, entendemos que este pode ser um meio privilegiado para fazer chegar os nossos serviços a quem está longe ou impossibilitando de vir à nossa clínica.

Foi este o mote para a criação do nosso novo serviço de CONSULTAS ONLINE.

Na realidade, as consultas em formato online já acontecem um pouco por todo o mundo, em diferentes contextos. Nomeadamente, na prática clínica está demonstrado que os seus benefícios terapêuticos são idênticos aos da consulta presencial, desde que estabelecida uma boa avaliação e relação terapêutica.

Os maiores receios prendem-se que a perda de privacidade ou sigilo profissional, contudo a ética exige o cumprimento escrupuloso de todas as condições que salvaguardem o paciente, independentemente do acompanhamento presencial ou online, pelo que garantimos completa privacidade clínica, cabendo ao paciente assegurar que no local onde se encontra a sua privacidade é, de igual modo, assegurada.

Como compreenderá, pesadas as vantagens e desvantagens desta modalidade de intervenção à distância, podemos afirmar ser muito benéfica para determinados casos em que um contacto presencial se mostre difícil.

Na Clínica NirvanaMED estamos preparados para o futuro e dispomos de condições tecnológicas que nos aproximam de uma experiência presencial, com todas as mais-valias que o contacto online nos pode oferecer.

Contacte-nos para esclarecer as suas dúvidas. Teremos todo o gosto em ajudá-lo(a).

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

O poder das palavras!

Se eu lhe disser que determinadas palavras têm determinados efeitos na nossa mente e corpo, você acredita?

Pode parecer estranho, mas, na verdade, nós reagimos, continuamente, aos estímulos que nos rodeiam e as palavras são um dos mais fortes estímulos, capazes de mudar a nossa disposição, ânimo ou energia.

Na essência disto está o facto da nossa mente procurar, em nosso redor, elementos que nos ajudem a compreender melhor o mundo em que vivemos, aqueles com quem nos relacionamos, e até mesmo a entender melhor a nossa maneira de ser. Assim, podemos ver a nossa mente como uma entidade que procura de modo ativo e permanente uma interpretação do que vê, sente, ouve ou perceciona.

As palavras são elementos da comunicação muito importantes e encerram em si, significados fundamentais por associação a experiências vividas. Por exemplo, alguém que esteja num processo de luto é natural que se sinta mais ativada por palavras relacionadas com a morte ou perda. Alguém que acabou de ser mãe ou pai é, habitualmente, mais ativado por palavras que se relacionam com a parentalidade, o nascimento, a conceção.

Ora, a capacidade de diferentes palavras nos remeterem para diferentes experiências leva-nos à expressão de determinadas emoções, tanto positivas como negativas. Este processo é comum e trata-se de um condicionamento, isto é, uma aprendizagem estabelecida entre uma vivência e uma semântica que remete para essa vivência. Este processo nada tem de atípico pois traduz uma forma de funcionamento mental caraterística de todos os seres humanos.

Mas (e há sempre um mas!), nem sempre este processo é saudável e, não raras vezes, pode tornar-se patológico na medida em que determinadas palavras com pendor mais negativo, tendem a ser sobrevalorizadas, remetendo o indivíduo para um estado de maior desânimo e angústia. Por exemplo, alguém que diga, com frequência, “eu não sou capaz”, vai integrar no seu inconsciente essa convicção de incompetência e incapacidade, reforçando um pensamento negativo que se reflete numa atitude derrotista e de desmotivação. Ao invés, um indivíduo que diga “sei que posso fazer melhor, e fá-lo-ei no futuro!”, vai fortalecer a crença de que tem competência e potencial para melhorar, alimentando uma convicção positiva e de persistência.

Em terapia, é fundamental analisar a narrativa dos pacientes, uma vez que, frequentemente, se encontra um padrão de palavras ou expressões que espelham mensagens que a sua mente tem integradas e que podem ser parte do problema que os traz à consulta.

Nesses casos, parte da intervenção passa pela mudança dos padrões comunicacionais com o incremento de novas palavras mais positivas, em substituição de anteriores expressões negativas e perpetuadoras de mal-estar.

O mundo da comunicação é fascinante e reflete o que vai na nossa mente!

Um forte abraço.


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Não consigo desligar do trabalho!

Julho e agosto são os meses de férias por excelência.

É neste período que a maioria dos trabalhadores usufrui do tão merecido descanso, nuns casos mais ansiado que noutros.

Em rigor, o que para uns será o momento ideal para “recarregar baterias”, para outros pode ser um período de tensão, ansiedade e preocupação com o trabalho.

É comum encontrarmos quem não consiga “desligar” o seu foco dos afazeres profissionais e, mesmo em férias, mantenha uma preocupação excessiva com o trabalho, ansiando pelo regresso à sua rotina.

Sabemos que a natureza do trabalho realizado, a responsabilidade subjacente ou a posição hierárquica influenciam, pois cargos de gestão ou direção assumem uma grande importância na estabilidade de empresas ou entidades e, por vezes, dirigentes ou responsáveis por departamentos receiam que a sua ausência comprometa a produtividade laboral.

Ainda assim, existem outros aspetos que contribuem para esta dificuldade em “desligar” do trabalho: a dificuldade em delegar tarefas ou confiar noutros outros, personalidades com maior tendência à obstinação ou obsessão, alguma rigidez cognitiva, entre outras.

Se este é o seu caso, há soluções! Não esqueça:

1) É fundamental que descanse e relaxe no período de férias;

2) Nas semanas que antecedem as férias vá preparando a sua ausência;

3) Delegue tarefas e competências. Deixe que outros possam fazer o seu trabalho;

4) Assegure que deixa as tarefas urgentes e prioritárias distribuídas por colaboradores da sua confiança;

5) Faça uma lista de assuntos a tratar quando regressar;

6) Nos primeiros dias de férias minimize o contacto com o trabalho. Gradualmente, reduza o número de vezes que vê o seu email profissional e atenda somente chamadas importantes;

7) Se mantiver preocupação com o trabalho, faça uma chamada breve para o colaborador que ficou responsável. Assim, garante que tudo decorre dentro da normalidade;

8) Deixe que façam a gestão do seu trabalho. Aprenda a confiar, pois uma desconfiança permanente pode colocar em causa boas relações profissionais. Repare que existem pessoas competentes à sua volta;

9) Não leve leituras relacionadas com o trabalho. Usar tablet e portátil aumentam a vontade em aceder ao email e contactar com o trabalho;

10) Relaxe e desfrute das suas férias.

 

 

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

5 dicas para melhorar as relações.

Esta semana falemos apenas de coisas boas:

As 5 melhores dicas para ser bem-sucedido nas relações.

Se existe algo complexo no nosso quotidiano, as relações são, indubitavelmente, uma delas.
Na verdade, é muito difícil não estar em relação! Relacionamo-nos com a família, com colegas de trabalho, com os vizinhos, com amigos, até com o senhor do talho ou a menina da mercearia.
É importante não esquecer que os relacionamentos não são apenas os vínculos que se estabelecem numa relação amorosa; eles (os relacionamentos) são uma extensão de nós próprios enquanto seres sociais (pois não podemos viver debaixo de uma pedra ou enredomados!).
Assim, se estivermos conscientes de que as múltiplas relações estabelecidas contribuem, decisivamente, para processos internos como a autoestima, autoconfiança ou autoconceito em geral, mais fácil será desenvolvermos esforços no sentido de melhorarmos o modo como nos relacionamos com os demais.

1. Seja flexível e permita-se mudar, de vez enquanto!
”Eu sou como sou! Quem gosta, gosta, quem não gosta, deixa na borda do prato!”
Quantas vezes já ouvimos isto? Muitas, de certo! Esta é uma das crenças mais limitantes das relações: acreditar-se que o modo como os outros nos olham é pouco importante e que, qualquer pessoa nos vai aceitar com todas as nossas caraterísticas; mesmo que algumas delas sejam difíceis de suportar.
Bem, na realidade, as relações são recíprocas continuamente (ou pelo menos devem ser). Ninguém pode exigir de nós algo sem que esteja disposta também a dar. Este é um ponto fundamental. Todos nós temos aspetos que podemos mudar, melhorar, flexibilizar, sem que isso magoe os nossos valores e princípios. As relações agradecem e nós também!

2. Seja ponderado e escute os outros
Muitos problemas nas relações advêm de lapsos na comunicação. É imprescindível estar disponível para escutar o que nos querem dizer, mesmo que nas entrelinhas. Comportamentos intempestivos e pouco refletidos também tendem a afastar as pessoas ao nosso redor, por isso aja mais com a razão.

3. Não queira ser o guru das relações
Custa a acreditar que se consigam manter demasiadas relações e todas elas com laços bastante positivos. Você não consegue multiplicar-se e relacionar-se em íntimo com todas as pessoas. Reconheça que apenas algumas pessoas poderão ser suas amigas, as restantes serão conhecidas, colegas, ….
Se partir deste pressuposto, estará mais consciente a ter atitudes adequadas com os diferentes intervenientes: com amigos as partilhas serão mais íntimas, com conhecidos mais superficiais, com colegas de trabalho serão mais voltadas para as questões laborais. Querer manter relações simétricas com todos pode levar a papéis difusos e confusos!

4. Valorize o não verbal
Já se costuma dizer: há imagens que valem mais que mil palavras.
Nas relações também isso acontece. Esteja mais atento ao comportamento não verbal: um olhar, um frangir de testa, um encolher de ombros podem ser reveladores e fornecem dicas importantes para adequarmos o nosso discursos e expetativa.

5. Faça um esforço por compreender os outros
Não precisa “vestir a pele” dos outros a todo o momento, mas é importante que vá tentando colocar-se no lugar do outro. Quando promovemos algo que se chama empatia (a capacidade para compreender o que o outro está a sentir) asseguramos que a nossa postura é mais sintónica com quem nos relacionamos. E em boa verdade, ninguém gosta de sentir que está a falar para o “boneco”.

Desejamos votos de boas relações!

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

A “Baleia Azul” e os desafios da adolescência

ATENÇÃO:

CONTÉM IMAGENS REAIS E QUE PODEM FERIR A SUSCETIBILIDADE DOS MAIS SENSÍVEIS

 

Recentemente, vieram a público notícias que relatavam a existência de um “jogo”, entre adolescentes, que rapidamente se estava a espalhar por todo o mundo e que já tinha sido a causa de morte de dezenas de jovens.

Este jogo, designado por “Baleia Azul”, consiste na realização de 50 tarefas, a maioria delas auto lesivas, isto é, provocam dano físico e psicológico em quem as concretiza. Em síntese, vão desde cortes ou feridas em partes do corpo até ao extremo de por em risco a vida, por exemplo, pendurando-se num parapeito da janela a grande altitude ou na estrutura de uma ponte. A tarefa final é o suicídio!

A execução destas atividades é orientada por um “elemento”, habitualmente um outro adolescente ou jovem adulto que, numa posição dominante, avalia o desempenho dos “jogadores”, pune ou elogia e ordena o que deve ser feito a seguir.

 

O que leva os jovens a entrar neste desafio?

Para entrar neste jogo o jovem deve ser convidado, habitualmente através de grupos específicos em fóruns ou redes sociais. Na maior parte dos casos, são os jovens mais frágeis emocionalmente que demonstram maior propensão para entrar no jogo. O elemento dominante, com quem contacta via online, vai descobrindo as fragilidades do “jogador” e mostra-se interessado pelos seus problemas, especialmente questões relacionadas com a adolescência, amizades, namoros ou família e, aos poucos, ganha a sua confiança e apreço, tornando mais fácil com que o “jogador” obedeça cegamente a todas as suas instruções.

A partir do momento em que o jovem entra no jogo pode ser-lhe difícil sair, uma vez que o elemento dominante cria a ilusão de que já conhece a “vítima”, fazendo pressão psicológica e ameaças de retaliação física. Há relatos de falsos vídeos que são mostrados sobre mortes de que abandonou o jogo. Assim, o “jogador” tem medo e sente que se abandonar o jogo e aquela figura de referência estará a dececionar quem confia nele e nas suas capacidades (por exemplo, na sua coragem em realizar as tarefas com êxito). No fundo, participar no jogo é uma forma do jovem, recorrentemente com baixa autoestima e poucas amizades, provar a si próprio, ao elemento dominante e aos outros que é uma pessoa capaz e corajosa.

 

Como evitar ou parar o jogo?

É importante estar alerta a sinais que possam ser indício de que o jovem está a participar no jogo. Esteja particularmente atento a estes aspetos:

1) Feridas e inscrições nas palmas das mãos;

2) Sinais de automutilação (braços, pernas, lábios);

3) Interesse repentino por filmes de terror;

4) Atividades a meio da madrugada;

5) Exposição ao perigo (subir a alturas, debruçar-se, …);

6) Desenhos de baleias;

7) Ficar sem conversar por longos período.

 

Se detetar comportamentos anómalos, sendo alguns deles acima elencados, considere uma conversa franca com o jovem, dando-lhe espaço para que explique o que está a acontecer. Equacione a possibilidade deste negar, por medo. Dê-lhe confiança e segurança de que vai ser ajudado e que nada de mal lhe acontecerá. Pondere recorrer a ajuda psicológica ou colaboração da polícia para alertar o jovem dos riscos que corre.

Estamos aqui para ajudar.

marco.bento@nirvanamed.pt


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

 

 

Isso são coisas da tua cabeça!

A doença mental é, a par da doença física, reconhecida desde há muito como entidade diagnóstica com relevância clínica pela interferência que provoca na vida de quem dela sofre.

Os estudos mais recentes indicam um aumento das perturbações mentais, sobretudo a depressão e ansiedade.

De uma forma clara, as exigências do quotidiano têm conduzido as pessoas a enfrentarem as dificuldades que se lhes afiguram como complexas e difíceis de ultrapassar. A noção de que perante um obstáculo não se possuem os recursos necessários para a sua resolução coloca o indivíduo numa situação de vulnerabilidade, aumentando o risco para o aparecimento de medos e ansiedades exageradas, traumas e sentimentos depressivos.

Durante muito tempo estes estados emocionais foram desvalorizados, mesmo por terapeutas e clínicos. Hoje, é consensual para quem trabalha em saúde que as perturbações descritas podem ser graves, provocam sofrimento e debelam a vida de quem delas padece.

Apesar da mudança de paradigma, ainda há quem menospreze estas condições: “isso passa!”; “isso são coisas da tua cabeça!”; “não penses nisso!”.

Mas será que temos essa atitude perante uma pessoa com doença oncológica? “isso passa!”; “está tudo na tua cabeça!”… Então porque ainda há quem julgue o sofrimento associado à doença mental menos válido?

Se conhece quem vive nesta realidade, não julgue, não questione ou ponha em causa o sofrimento. Mostre compreensão, escute e apoie.


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Eternos Adolescentes

O desenvolvimento humano é complexo e nem sempre linear. Em cada idade existem determinadas competências que são desenvolvidas e processos orgânicos que maturam, tornando-nos num ser cada vez mais apto e evoluído.

O modo como nos desenvolvemos depende de dois aspetos fundamentais: por um lado a carga genética e biológica (herdada aos pais), por outro o acumular de experiências vividas e interação com um meio social e relacional. É da sinergia entre os mecanismos biológicos e contextuais que estruturamos a nossa maneira de ser também designada de personalidade.

Cada indivíduo tem a sua personalidade e é isso que nos torna únicos!

Este é o mote para abordar um tema que julgo atual: os eternos adolescentes. Isto é, adultos que apesar das exigências sociais e profissionais mantém comportamentos caraterísticos da adolescência, como se a estrutura mental e emocional não tivesse acompanhado o desenvolvimento físico.

Gostaria de falar nisto por entender que existe algum trabalho a realizar neste âmbito e por considerar que parte dos problemas entre casais, no trabalho e nas restantes relações se devem a comportamentos enquadráveis nesta temática.
Desde logo importa clarificar que, ao passo que o crescimento corporal está muito dependente de fatores biológicos, a maturação emocional e cognitiva deriva mais das experiências vividas e do modo como foram integradas. Isto resulta, com frequência, num desajuste entre o corpo e mente: adultos num corpo de adulto, mas com uma mente imatura.

É comum encontrarmos nestas pessoas atitudes e comportamentos pouco expectáveis, dificuldades em gerir as emoções e controlar impulsos, uma visão muito autocentrada, pouca tolerância, tendência para a indecisão e dificuldades em assumir compromissos. No início de uma relação (quer profissional quer amorosa) podem parecer pessoas apaixonantes, pelo seu espírito aventureiro e empreendedor. Como tendem a ser inconsequentes, ou seja, a avaliar incorretamente as consequências dos seus atos, fazem falsas promessas e criam expetativas infundadas (nelas próprias e nos outros), levando à deceção e frustração.

Do que tenho observado em clínica, parece haver uma tendência para que estas pessoas se aproximem de outras emocionalmente mais frágeis e carentes, pois demonstram uma abertura e disponibilidade afetiva imediatas, muito necessárias a quem procura preencher um vazio emocional. O resultado tem-se revelado pouco benéfico para ambos: de um lado a expetativa criada em torno da relação sai gorada e aumenta o sentimento de frustração, do outro a imaturidade emocional é exacerbada ao não saber como lidar com a situação e corrigir o erro.

Apesar de tudo, tenho boas notícias: é possível (e diria, desejável) mudar algumas caraterísticas mais imaturas, tornando-as mais adaptadas e funcionais. Não se pretende que deixe de ser quem é, mas importa dar um sentido de maior responsabilidade e maturidade.

Se sente que pode ser o seu caso, ou se conhece alguém que sofre nesta situação, não espere e procure um profissional.

Com um abraço.

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Pequenos (Grandes) Traumas!

Esta semana convido-o(a) a “viajar” até às memórias da sua infância.

Qual ou quais as recordações que lhe vêm à mente?

Nalguns casos serão memórias de bons momentos em família ou amigos; noutros talvez lembranças na escola ou de descobertas próprias da idade; outras, ainda, poderão ser recordações menos positivas ou até dolorosas e traumáticas.

Independentemente do que seja o seu caso, certo é que esta(s) memória(s) não espelha(m) tudo o que armazenamos no nosso cérebro, sendo apenas uma ínfima parte daquilo que guardamos no nosso inconsciente.

Na verdade, tudo o que somos – a nossa identidade – é condicionado pelas aprendizagens que fizemos ao longo da vida e que, em primeira instância, resultam dos acontecimentos pelos quais passámos (sejam bons ou maus), assim como do modo como os interpretámos.

A vivência de determinados acontecimentos fica registada na nossa mente, em forma de memória, e mesmo que não tenhamos consciência dela, o natural é que essa memória condicione a forma como no futuro nos relacionamos com o mundo que nos rodeia.

Um exemplo prático é o de um adulto ansioso, que em criança sempre foi demasiado protegido e não teve possibilidade de explorar o seu redor. Se na sua infância ainda era repreendido pelos pais, assustado em relação a demasiados perigos ou castigado, tudo isso se refletirá num adulto amedrontado e dependente.

Este caso ilustra a importância das memórias associadas a “pequenos traumas”. Quero com isto dizer que as lembranças menos positivas não têm que ser somente situações de maior gravidade ou interpretadas como violentas. Todos os momentos em que no nosso passado fomos castigados sem motivo (ou pelo menos, na altura não entendemos a razão), fomos menosprezados e desvalorizados ou nos disseram: “não faças”, “tu não consegues”, “o que fizeste está mal”, foi imprimindo no nosso inconsciente crenças castradoras ou limitantes que, hoje em dia, se repercutem nos nossos relacionamentos, trabalho e na forma como nos vemos a nós próprios.

A dificuldade em compreender o motivo pelo qual, muitas vezes, se persiste no mesmo erro, se fazem as coisas de determinada maneira ou se mantém certas relações encontram justificação em vivências passadas, mesmo que não tenhamos disso consciência.

Deixo uma sugestão: procure descobrir que acontecimentos do seu passado podem estar a marcar, decisivamente, o seu presente e tente aceitar o que aconteceu como uma oportunidade de aprendizagem. Olhe para essa memória, distancie-se e responda: “o que aprendi com o que me aconteceu?” e “como posso melhorar com tudo o que já sei hoje?”.

Conheça-se melhor e seja feliz.

Um abraço amigo.

Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)

Abra a porta à felicidade

A entrada num novo ano é sempre pretexto para renovar votos de um futuro auspicioso e repleto de concretizações pessoais e profissionais.
As festividades de final de ano são momentos oportunos para refletir sobre o que aconteceu nos últimos meses, assim como boas ocasiões para planear os objetivos dos meses que virão.
Contudo, importa que os objetivos traçados não sejam meras intensões pouco planeadas ou irrealistas. Este é um forte motivo para que um objetivo caia por terra, à partida!
Aproveite os últimos dias do ano para analisar as mudanças que deseja fazer acontecer na sua vida e quais as melhores formas para o conseguir. Seguem-se algumas dicas:
1) Registe, por escrito, os seus principais objetivos para o novo ano;
2) Ordene os objetivos por prioridade (do mais importante para o menos importante);
3) Para cada objetivo, responda às seguintes questões: proponho-me atingir este objetivo em quanto tempo? O que preciso para o alcançar? Que recursos tenho que me vão ajudar a atingi-lo? O que preciso melhorar/mudar/obter para alcançar este objetivo? O que muda após concretizá-lo? Este objetivo é congruente com os meus valores e princípios?
4) Tenha em mente que existem objetivos que são mais difíceis de realizar. Foque-se naqueles para os quais possui mais recursos (motivação, por exemplo) e cujo o seu impacto será mais positivo na sua vida;
5) Lembre-se que um objetivo deve ser realista, alcançável, mensurável e definido de modo concreto;
6) Periodicamente, analise o seu plano de objetivos (quantos já alcançou, qual o ponto de situação, …); se necessário, reformule objetivos;
7) Não se esqueça que a dificuldade em alcançar um objetivo pode estar no seu planeamento incorreto;
8) Transforme os obstáculos e dificuldades em forças e motivação;
9) Reconheça que, por vezes, é necessária ajuda de terceiros (nem sempre conseguimos fazer tudo sozinhos!).

Às doze badaladas do 1 de janeiro não se esqueça: um novo ano começa e renasce a esperança de muitas novas oportunidades para ser feliz.
Um ano muito feliz!

 


Marco Martins Bento
(psicólogo clínico e psicoterapeuta)